terça-feira, 26 de março de 2013

Está tudo enterrado.


Autoritarismo. Agressividade. Controle. Corporativismo.  Censura. Combate. Discursos. Domínio. Ditadura. Exército. Estado. Imperialismo. Ideologia. Limitações. Militarismo. Nacionalismo. Obediência. Ocupação. Poder. Revolta. Subserviência. Totalitarismo. Uniformidade. Valores. Fascismo. História. Passado?
            Quando lemos as palavras supracitadas, associamo-las com um evento histórico, algo que aconteceu no passado, e que não irá mais acontecer, pois já conhecemos as consequências. O fascismo foi um regime político que até hoje grande parte da sociedade mundial relembra, em decorrência dos fatos ocorridos durante o mesmo. Lembramos-nos de um fato distante, mas será mesmo que isto está tão longe de nós e da nossa realidade?
            Faz pouco tempo que assisti ao filme “A Onda, Die Welle”, um filme produzido na Alemanha, um país que já adotou o regime. O filme comenta a história de um grupo de jovens de uma escola, que possuí como projeto o estudo de um regime fascista, para integrar os alunos ao assunto, o professor decide demonstrar como funcionaria este regime, tornando a própria sala de aula um exemplo disso, porém os jovens são tomados pela ideia de comunidade que o fascismo gera e acabam tornando-o real.
            Após assistir o filme, temos outra visão sobre o quão presente está o passado no nosso dia a dia. Depois de um tempo, percebi o que o escritor e pensador Alvin Toffler quer dizer com “choque do futuro”. A nossa sociedade atual possuí características de um regime fascista, nós temos uma ideia passada pela grande mídia de padrões, sejam padrões de vida, beleza, trabalho, ideal e etc. Nós somos “programados” e direcionados a um comum, a uma igualdade denominada o “melhor” para nós. Temos uma autoridade, muitas vezes ligada com o poder midiático e o poder monetário, tendo a nação e suas culturas como centro, a valorização de uma família ideal.
            E isso não apenas afeta o mercado de trabalho, as indústrias e as nações como um conjunto, mas também a vida pessoal de cada indivíduo nos obrigando a representar papéis e nos colocando frente a frente com uma manipulação alienada e focada em algo comum e comunitário. Até mesmo os jovens de hoje em dia estão sendo censurados, suas manifestações e o real objetivo destas são distorcidos, quando citadas. Até mesmo a escola, que deveria ser a fonte de conhecimento, e o inicio do desenvolvimento da capacidade de criticar e refletir de cada um, está se tornando uma indústria de trabalhadores.
            “No entanto, quando se trata de localizar a criança no tempo pregamos lhe uma partida cruel e prejudicial. Mergulhamo-la o mais possível no passado
do seu país e no do Mundo […] E, então, o tempo para. A escola é muda acerca do amanhã. […] O tempo para bruscamente, a atenção do estudante é orientada pra trás e
não para a frente. O futuro, já banido da sala de aula, é também banido da sua
consciência, como se fosse uma coisa inexistente, como se não houvesse
futuro.” (Toffler)
            Existem professores, o conhecimento existe. Somos seres pensantes, e devemos usufruir ao máximo tal capacidade, devemos conhecer, pesquisar, questionar, formar uma opinião própria, argumentar e obter um pilar para sustentar tal opinião. É ai que entra o papel do professor, em destaque os de Línguas e Literatura, aprender a ler com profundidade, a entender e a realmente conhecer é como poder sair de casa para ampliar a visão de cada um do mundo, e precisamos de quem ensine a antes abrir as portas para que isso seja possível.
            Lendo, desenvolvemos o nosso cérebro a pensar, a questionar. Para que então, um dia possamos dizer que a nossa sociedade jamais adotará características de um regime brutal como o fascismo. Para que um dia tenhamos jovens e adultos que possam pensar por si só, e que possam mudar a sociedade alienada e cega em que vivemos. Poderemos assim enxergar o mundo em sua totalidade e melhorá-lo ao invés de destruir o meio em que vivemos.

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