Autoritarismo. Agressividade. Controle.
Corporativismo. Censura. Combate.
Discursos. Domínio. Ditadura. Exército. Estado. Imperialismo. Ideologia.
Limitações. Militarismo. Nacionalismo. Obediência. Ocupação. Poder. Revolta.
Subserviência. Totalitarismo. Uniformidade. Valores. Fascismo. História.
Passado?
Quando lemos as palavras
supracitadas, associamo-las com um evento histórico, algo que aconteceu no
passado, e que não irá mais acontecer, pois já conhecemos as consequências. O
fascismo foi um regime político que até hoje grande parte da sociedade mundial
relembra, em decorrência dos fatos ocorridos durante o mesmo. Lembramos-nos de
um fato distante, mas será mesmo que isto está tão longe de nós e da nossa
realidade?
Faz pouco tempo que assisti ao filme
“A Onda, Die
Welle”, um filme produzido na
Alemanha, um país que já adotou o regime. O filme comenta a história de um
grupo de jovens de uma escola, que possuí como projeto o estudo de um regime
fascista, para integrar os alunos ao assunto, o professor decide demonstrar
como funcionaria este regime, tornando a própria sala de aula um exemplo disso,
porém os jovens são tomados pela ideia de comunidade que o fascismo gera e
acabam tornando-o real.
Após
assistir o filme, temos outra visão sobre o quão presente está o passado no
nosso dia a dia. Depois de um tempo, percebi o que o escritor e pensador Alvin
Toffler quer dizer com “choque do futuro”. A nossa sociedade atual possuí
características de um regime fascista, nós temos uma ideia passada pela grande
mídia de padrões, sejam padrões de vida, beleza, trabalho, ideal e etc. Nós
somos “programados” e direcionados a um comum, a uma igualdade denominada o
“melhor” para nós. Temos uma autoridade, muitas vezes ligada com o poder
midiático e o poder monetário, tendo a nação e suas culturas como centro, a
valorização de uma família ideal.
E isso não
apenas afeta o mercado de trabalho, as indústrias e as nações como um conjunto,
mas também a vida pessoal de cada indivíduo nos obrigando a representar papéis
e nos colocando frente a frente com uma manipulação alienada e focada em algo
comum e comunitário. Até mesmo os jovens de hoje em dia estão sendo censurados,
suas manifestações e o real objetivo destas são distorcidos, quando citadas.
Até mesmo a escola, que deveria ser a fonte de conhecimento, e o inicio do
desenvolvimento da capacidade de criticar e refletir de cada um, está se
tornando uma indústria de trabalhadores.
“No entanto, quando se trata de localizar a
criança no tempo pregamos lhe uma partida cruel e prejudicial. Mergulhamo-la o
mais possível no passado
do
seu país e no do Mundo […] E, então, o tempo para. A escola é muda acerca do
amanhã. […] O tempo para bruscamente, a atenção do estudante é orientada pra
trás e
não
para a frente. O futuro, já banido da sala de aula, é também banido da sua
consciência,
como se fosse uma coisa inexistente, como se não houvesse
futuro.”
(Toffler)
Existem
professores, o conhecimento existe. Somos seres pensantes, e devemos usufruir
ao máximo tal capacidade, devemos conhecer, pesquisar, questionar, formar uma
opinião própria, argumentar e obter um pilar para sustentar tal opinião. É ai
que entra o papel do professor, em destaque os de Línguas e Literatura,
aprender a ler com profundidade, a entender e a realmente conhecer é como poder
sair de casa para ampliar a visão de cada um do mundo, e precisamos de quem
ensine a antes abrir as portas para que isso seja possível.
Lendo,
desenvolvemos o nosso cérebro a pensar, a questionar. Para que então, um dia
possamos dizer que a nossa sociedade jamais adotará características de um
regime brutal como o fascismo. Para que um dia tenhamos jovens e adultos que
possam pensar por si só, e que possam mudar a sociedade alienada e cega em que
vivemos. Poderemos assim enxergar o mundo em sua totalidade e melhorá-lo ao
invés de destruir o meio em que vivemos.
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