terça-feira, 26 de março de 2013

Somos seres pensantes !


Imagine uma grande rede política e midiática que nos programa para pensar e agir como uma autoridade determina e impõe. Imagine que esta sociedade envolve um senso comum, onde as informações cedidas a nós desde cedo, nos programam para pensar como se aquilo que falam fosse o “melhor” para todos. Imagine uma autoridade que junto à grande mídia nos aliena para que então, alienados não possamos questionar seus modelos de vida ideais a todos. Imagine que a ideia de um conjunto, de um “todos” esteja centralizada como forma de nação. Uma nação feita para todos.
As características que supracitei, são características de um regime fascista. E essa sociedade que descrevo não está somente associada a um evento histórico distante, que não irá mais acontecer. Releia o parágrafo acima com atenção. A sociedade que descrevo é a qual vivemos hoje em dia em grande parte dos países do mundo, é este o sistema que os que programam impõem aos “programados”, que as autoridades determinam a toda sociedade.
Essas características não apenas afetam o mercado de trabalho, as indústrias e as nações como um conjunto, mas também cada indivíduo. Desde pequenos, quando entramos na escola, já estamos sendo direcionados a um modelo de sociedade ideal, onde “qualquer problema deveremos falar ao professor”. Após o senso crítico começar a se desenvolver, o mesmo começa também a ser manipulado, focado em algo “correto” e apenas aquilo e uma censura abala o jovem.
Existem professores, o conhecimento existe, e o que difere o ser humano dos outros animais é a capacidade de pensar, afinal somos seres pensantes, devemos usufruir ao máximo tal capacidade, devemos conhecer, pesquisar, questionar, formar uma opinião própria, argumentar e obter um pilar para sustentar tal opinião. É ai que entra o papel do professor, em destaque para os de Línguas e Literatura, o jovem necessita da leitura, necessita entender com total profundidade o que lê, entender e conhecer o mundo e a sociedade que vive.
Conhecer é como poder sair de casa e ampliar a nossa visão do mundo, e precisamos de alguém que ensine a andar, e a abrir as portas para que isso se torne possível. Um grande escritor futurista, mas que não deixou de olhar para o passado, ele se destacou por examinar a reação da sociedade e as mudanças que esta sofre. Ele diz em suas pesquisas e análises que passamos tanto tempo ensinando as crianças e os jovens sobre o passado, e o pior de tudo, como se o passado não tivesse consequências e características nos dias atuais, e esquecemos-nos de falar do futuro e do que estamos vivendo hoje no país e no mundo.

“No entanto, quando se trata de localizar a criança no tempo pregamos-lhe uma partida cruel e prejudicial. Mergulhamo-la o mais possível no passado
do seu país e no do Mundo […] E, então, o tempo para. A escola é muda acerca do amanhã. […] O tempo para bruscamente, a atenção do estudante é orientada pra trás e
não para a frente. O futuro, já banido da sala de aula, é também banido da sua
consciência, como se fosse uma coisa inexistente, como se não houvesse
futuro.” (Toffler)

Como consequência, o senso critico do jovem é oprimido e o mesmo, talvez inconscientemente, começa a apenas aceitar o que as autoridades nos propõe como estilo de vida padrão. Mas se ao invés disso, as escolas investissem em desenvolver cada vez mais a consciência do aluno, instigando-o a questionar nossa sociedade começasse a então se desenvolver fora da alienação do senso comum.
Lendo, nós podemos fazer com que isso se torne real, e é por isso que desde cedo a leitura e a compreensão da mesma tem fundamental importância no futuro da nossa sociedade e do mundo. Lendo os jovens poderão tomar as decisões por si próprios e se tornarão adultos com uma opinião que ele mesmo desenvolveu com o conhecimento que obteve durante a vida. A compreensão das coisas que lemos, que escutamos e que vemos, é essencial, tornando quem ensina também igualmente essencial.

Está tudo enterrado.


Autoritarismo. Agressividade. Controle. Corporativismo.  Censura. Combate. Discursos. Domínio. Ditadura. Exército. Estado. Imperialismo. Ideologia. Limitações. Militarismo. Nacionalismo. Obediência. Ocupação. Poder. Revolta. Subserviência. Totalitarismo. Uniformidade. Valores. Fascismo. História. Passado?
            Quando lemos as palavras supracitadas, associamo-las com um evento histórico, algo que aconteceu no passado, e que não irá mais acontecer, pois já conhecemos as consequências. O fascismo foi um regime político que até hoje grande parte da sociedade mundial relembra, em decorrência dos fatos ocorridos durante o mesmo. Lembramos-nos de um fato distante, mas será mesmo que isto está tão longe de nós e da nossa realidade?
            Faz pouco tempo que assisti ao filme “A Onda, Die Welle”, um filme produzido na Alemanha, um país que já adotou o regime. O filme comenta a história de um grupo de jovens de uma escola, que possuí como projeto o estudo de um regime fascista, para integrar os alunos ao assunto, o professor decide demonstrar como funcionaria este regime, tornando a própria sala de aula um exemplo disso, porém os jovens são tomados pela ideia de comunidade que o fascismo gera e acabam tornando-o real.
            Após assistir o filme, temos outra visão sobre o quão presente está o passado no nosso dia a dia. Depois de um tempo, percebi o que o escritor e pensador Alvin Toffler quer dizer com “choque do futuro”. A nossa sociedade atual possuí características de um regime fascista, nós temos uma ideia passada pela grande mídia de padrões, sejam padrões de vida, beleza, trabalho, ideal e etc. Nós somos “programados” e direcionados a um comum, a uma igualdade denominada o “melhor” para nós. Temos uma autoridade, muitas vezes ligada com o poder midiático e o poder monetário, tendo a nação e suas culturas como centro, a valorização de uma família ideal.
            E isso não apenas afeta o mercado de trabalho, as indústrias e as nações como um conjunto, mas também a vida pessoal de cada indivíduo nos obrigando a representar papéis e nos colocando frente a frente com uma manipulação alienada e focada em algo comum e comunitário. Até mesmo os jovens de hoje em dia estão sendo censurados, suas manifestações e o real objetivo destas são distorcidos, quando citadas. Até mesmo a escola, que deveria ser a fonte de conhecimento, e o inicio do desenvolvimento da capacidade de criticar e refletir de cada um, está se tornando uma indústria de trabalhadores.
            “No entanto, quando se trata de localizar a criança no tempo pregamos lhe uma partida cruel e prejudicial. Mergulhamo-la o mais possível no passado
do seu país e no do Mundo […] E, então, o tempo para. A escola é muda acerca do amanhã. […] O tempo para bruscamente, a atenção do estudante é orientada pra trás e
não para a frente. O futuro, já banido da sala de aula, é também banido da sua
consciência, como se fosse uma coisa inexistente, como se não houvesse
futuro.” (Toffler)
            Existem professores, o conhecimento existe. Somos seres pensantes, e devemos usufruir ao máximo tal capacidade, devemos conhecer, pesquisar, questionar, formar uma opinião própria, argumentar e obter um pilar para sustentar tal opinião. É ai que entra o papel do professor, em destaque os de Línguas e Literatura, aprender a ler com profundidade, a entender e a realmente conhecer é como poder sair de casa para ampliar a visão de cada um do mundo, e precisamos de quem ensine a antes abrir as portas para que isso seja possível.
            Lendo, desenvolvemos o nosso cérebro a pensar, a questionar. Para que então, um dia possamos dizer que a nossa sociedade jamais adotará características de um regime brutal como o fascismo. Para que um dia tenhamos jovens e adultos que possam pensar por si só, e que possam mudar a sociedade alienada e cega em que vivemos. Poderemos assim enxergar o mundo em sua totalidade e melhorá-lo ao invés de destruir o meio em que vivemos.