Imagine uma
grande rede política e midiática que nos programa para pensar e agir como uma
autoridade determina e impõe. Imagine que esta sociedade envolve um senso
comum, onde as informações cedidas a nós desde cedo, nos programam para pensar
como se aquilo que falam fosse o “melhor” para todos. Imagine uma autoridade
que junto à grande mídia nos aliena para que então, alienados não possamos
questionar seus modelos de vida ideais a todos. Imagine que a ideia de um
conjunto, de um “todos” esteja centralizada como forma de nação. Uma nação
feita para todos.
As
características que supracitei, são características de um regime fascista. E essa
sociedade que descrevo não está somente associada a um evento histórico
distante, que não irá mais acontecer. Releia o parágrafo acima com atenção. A
sociedade que descrevo é a qual vivemos hoje em dia em grande parte dos países
do mundo, é este o sistema que os que programam impõem aos “programados”, que
as autoridades determinam a toda sociedade.
Essas
características não apenas afetam o mercado de trabalho, as indústrias e as
nações como um conjunto, mas também cada indivíduo. Desde pequenos, quando
entramos na escola, já estamos sendo direcionados a um modelo de sociedade
ideal, onde “qualquer problema deveremos falar ao professor”. Após o senso
crítico começar a se desenvolver, o mesmo começa também a ser manipulado, focado
em algo “correto” e apenas aquilo e uma censura abala o jovem.
Existem
professores, o conhecimento existe, e o que difere o ser humano dos outros
animais é a capacidade de pensar, afinal somos seres pensantes, devemos
usufruir ao máximo tal capacidade, devemos conhecer, pesquisar, questionar,
formar uma opinião própria, argumentar e obter um pilar para sustentar tal
opinião. É ai que entra o papel do professor, em destaque para os de Línguas e
Literatura, o jovem necessita da leitura, necessita entender com total
profundidade o que lê, entender e conhecer o mundo e a sociedade que vive.
Conhecer é como
poder sair de casa e ampliar a nossa visão do mundo, e precisamos de alguém que
ensine a andar, e a abrir as portas para que isso se torne possível. Um grande
escritor futurista, mas que não deixou de olhar para o passado, ele se destacou
por examinar a reação da sociedade e as mudanças que esta sofre. Ele
diz em suas pesquisas e análises que passamos tanto tempo ensinando as crianças
e os jovens sobre o passado, e o pior de tudo, como se o passado não tivesse
consequências e características nos dias atuais, e esquecemos-nos de falar do
futuro e do que estamos vivendo hoje no país e no mundo.
“No entanto, quando se trata de
localizar a criança no tempo pregamos-lhe uma partida cruel e prejudicial.
Mergulhamo-la o mais possível no passado
do seu país e no do Mundo […] E, então, o tempo para. A
escola é muda acerca do amanhã. […] O tempo para bruscamente, a atenção do
estudante é orientada pra trás e
não para a frente. O futuro, já banido da sala de aula, é
também banido da sua
consciência, como se fosse uma coisa inexistente, como se não
houvesse
futuro.” (Toffler)
Como
consequência, o senso critico do jovem é oprimido e o mesmo, talvez
inconscientemente, começa a apenas aceitar o que as autoridades nos propõe como
estilo de vida padrão. Mas se ao invés disso, as escolas investissem em
desenvolver cada vez mais a consciência do aluno, instigando-o a questionar
nossa sociedade começasse a então se desenvolver fora da alienação do senso
comum.
Lendo, nós
podemos fazer com que isso se torne real, e é por isso que desde cedo a leitura
e a compreensão da mesma tem fundamental importância no futuro da nossa
sociedade e do mundo. Lendo os jovens poderão tomar as decisões por si próprios
e se tornarão adultos com uma opinião que ele mesmo desenvolveu com o
conhecimento que obteve durante a vida. A compreensão das coisas que lemos, que
escutamos e que vemos, é essencial, tornando quem ensina também igualmente essencial.