Hoje o dia estava cinzento, frio. Parecia-se com aqueles
quadros sobre natureza morta que muitos artistas insistem em pintar, mas não os
culpo, é realmente algo lindo de se observar. Em dias assim, a criatividade e a
imaginação afloram na mente de cada um que ainda tem uma centelha de força
vital dentro de si.
Enquanto caminhava para ir ao médico, que por sinal era do
outro lado da cidade, consegui notar que muitas pessoas não largam seus
aparelhos eletrônicos, suas agendas, pastas e objetos de trabalho ou estudo
para observar as cores e os detalhes do dia, da cidade.
Se formos pensar bem no assunto, veremos que são raras e
poucas as pessoas que fazem isso, que ainda cuidam o horário do por do sol,
suas cores fortes e vibrantes, as estrelas brilhantes no céu ou até mesmo a
falta delas.
O mundo atual está corrido, pessoas inventam um tempo que
não existe, estão sempre correndo, sempre a milhão. Não há mais aquela hora
para si, para pensar, para se colocar em frente a uma paisagem e observá-la
analisando todos os mistérios que nos envolvem.
Isso me remete a pensar no porque da vida, se não para ser
aproveitada. E de que serve a morte, se não para nos lembrar de que precisamos
viver. Afinal, é idiota e miserável aquele que guarda bens materiais que não levará
para o caixão.
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