segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cores


  Hoje o dia estava cinzento, frio. Parecia-se com aqueles quadros sobre natureza morta que muitos artistas insistem em pintar, mas não os culpo, é realmente algo lindo de se observar. Em dias assim, a criatividade e a imaginação afloram na mente de cada um que ainda tem uma centelha de força vital dentro de si.
  Enquanto caminhava para ir ao médico, que por sinal era do outro lado da cidade, consegui notar que muitas pessoas não largam seus aparelhos eletrônicos, suas agendas, pastas e objetos de trabalho ou estudo para observar as cores e os detalhes do dia, da cidade.
  Se formos pensar bem no assunto, veremos que são raras e poucas as pessoas que fazem isso, que ainda cuidam o horário do por do sol, suas cores fortes e vibrantes, as estrelas brilhantes no céu ou até mesmo a falta delas.
  O mundo atual está corrido, pessoas inventam um tempo que não existe, estão sempre correndo, sempre a milhão. Não há mais aquela hora para si, para pensar, para se colocar em frente a uma paisagem e observá-la analisando todos os mistérios que nos envolvem.
  Isso me remete a pensar no porque da vida, se não para ser aproveitada. E de que serve a morte, se não para nos lembrar de que precisamos viver. Afinal, é idiota e miserável aquele que guarda bens materiais que não levará para o caixão. 

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